O preço do XMR em reais com o horário da cotação, um conversor nos dois sentidos e um relato direto de como a privacidade funciona e do que ela custa em acesso.
Monero (XMR): R$ 2.740,99, +6,32%.
O livro-razão do bitcoin é completamente público: um endereço revela o próprio saldo e cada pagamento que já enviou ou recebeu. O Monero, lançado em 2014 sem premine e sem alocação para fundadores, tira isso, e esconde três coisas por padrão, não como opção. As ring signatures misturam a entrada real com iscas, de modo que não dá para dizer qual delas gastou. Os stealth addresses geram um endereço único e novo para cada pagamento, então o endereço que você divulga nunca aparece na cadeia. O RingCT, acrescentado em 2017, criptografa o valor mas deixa qualquer um verificar que as somas fecham. O livro-razão continua público e auditável; as partes e os números, não.
Privacidade financeira é um interesse comum. Quase ninguém publicaria o próprio extrato bancário, e numa cadeia transparente um endereço é quase isso: pague um fornecedor uma vez e ele passa a acompanhar o que você ganha depois. Essa mesma propriedade faz do Monero um problema de conformidade para plataformas reguladas, e as exchanges o retiraram uma atrás da outra — a Bittrex em 2021, a Huobi em 2022, a OKX e depois a Binance no início de 2024, esta última levando embora o maior mercado que ele tinha. Na Europa, as novas regras proíbem que exchanges licenciadas listem moedas que reforçam o anonimato. Ter XMR não é crime no Brasil, mas a maioria das exchanges brasileiras não o oferece, então comprar aqui significa recorrer a uma plataforma estrangeira menor ou a uma negociação entre pessoas.
Essa magreza agora faz parte do preço. O mercado é pequeno o bastante para um único fluxo grande mexer forte com ele: em abril de 2025 o produto de um grande roubo de bitcoin foi convertido em XMR e o preço subiu cerca de metade em um dia — o que diz mais sobre quão poucas moedas estão disponíveis do que sobre demanda pela tecnologia. Fora isso, ele se move por notícias de deslistagem, por cada passo regulatório contra ativos de privacidade e com a maré do cripto. Não há fundo que o detenha e não há rendimento de staking, e o protocolo faz hard fork a cada seis meses, mais ou menos, então uma carteira desatualizada acaba parando de funcionar. O valor no topo é uma referência da CoinGecko, média entre as exchanges que ainda o listam, guardada a cada meia hora.
Da CoinGecko, que faz a média do preço entre as exchanges que o listam, guardado aqui por uma rotina que roda a cada 30 minutos; a data e a hora dessa cotação ficam impressas abaixo do valor. Clique em "Atualizar cotação" para buscar a atual. O XMR é negociado todos os dias, fins de semana inclusive.
Valem os motivos de sempre — uma exchange cota os próprios preços, com spread, taxa de negociação e taxa de saque —, mas com o Monero a diferença é realmente maior, porque bem menos plataformas o listam desde as grandes deslistagens e cada livro de ofertas é mais fino. Espere algo pior do que a referência acima.
É. Guardar ou negociar não é crime aqui: os ganhos são tributáveis, e as obrigações de declaração sobre criptoativos não mudam porque o ativo é privado. O obstáculo é a disponibilidade, não a lei.
Porque uma exchange regulada precisa conseguir dizer aos supervisores de onde o dinheiro veio e para onde foi, e o Monero é desenhado justamente para que isso não seja possível. A maioria das grandes plataformas preferiu tirar o ativo a defender o caso mercado a mercado. A tecnologia não mudou — o ambiente regulatório mudou.
Esse é o objetivo do desenho, e não há demonstração pública de um método para quebrar o protocolo atual de forma rotineira e em escala — mas "não pode ser rastreado" é uma afirmação forte demais para se apoiar nela. As transações feitas antes da atualização que passou a esconder os valores, em 2017, eram mais frágeis, e a maior parte da privacidade se perde em volta do protocolo, não dentro dele: ao comprar numa exchange identificada, ou ao vazar o seu endereço na camada de rede.
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